Carone: Dos 12 secretários de Zema, 8 integraram os governos Aécio-Anastasia ou são comprometidos com o PSDB; líderes na Assembleia também são tucanos

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Zema. O Novo Tucanato

por Marco Aurélio Carone, no Novojornal

Nossa matéria Zema, o cavalo de troia, publicada em 29 de janeiro, informava que era unanimidade entre os analistas políticos que a eleição de Romeu Zema (Novo) para o governo de Minas Gerais só ocorreu em função de sua apresentação no período eleitoral como não politico, além da promessa de não adotar em seu governo o fisiologismo dos “finórios tradicionais”. Em síntese um novo modelo de governar.

E que, em função das decisões e escolhas de Zema, os mesmos analistas entendiam que o governador e seu partido foram utilizados estrategicamente por antigas lideranças politicas mineiras, cientes da insatisfação da população com seus nomes e práticas.

Fatos que, além de decepcionar os eleitores, vinham causando a morte prematura das carreiras dos parlamentares eleitos em função da proposta do partido Novo.

Internautas eleitores do Zema ou militantes do Novo, insatisfeitos com a sutileza da matéria, passaram a cobrar do Novojornal que fossem citados nomes e casos concretos.

Já tínhamos os nomes, porém esperávamos a posse dos deputados estaduais eleitos, o retorno dos trabalhos legislativos, assim como a apresentação da reforma administrativa para satisfazer os internautas leitores.

Constatamos que o desconforto com a situação é ainda maior. Tanto que, na última terça-feira (5) Romeu Zema mostrou-se incomodado com as críticas que têm recebido por nomear para o primeiro escalão do governo pessoas sabidamente são tucanas ou que atuaram na gestão do PSDB à frente do governo de Minas.

Ao ser questionado se a ex-secretária de Planejamento dos governos Aécio Neves e Antônio Anastasia (PSDB),  Renata Vilhena, continuaria a prestar serviços para o Estado, Zema não respondeu, disse que ia ao banheiro e não voltou.

Dias antes, o jornal O Tempo noticiara que Vilhena fora contratada, por meio da Fundação Dom Cabral (FDC), para prestar serviços para o Estado e que participara ativamente da elaboração da reforma administrativa apresentada.

Na verdade, a questão Renata Vilhena vinha servindo para tirar o foco da participação maciça de outros integrantes de governos tucanos na gestão de Romeu Zema.

Ficando, assim, difícil o governador negar, principalmente após o informar a redução do número de pastas de 21 para 12.

Dos 12 secretários, 8 participaram das administrações do PSDB ou são comprometidos com o partido.

Este número amplia-se para 9 se somarmos a “consultora” Renata Vilhena.

Ela  atuou desde 2003 no denominado “Choque de Gestão”. Primeiro, como secretária adjunta de Planejamento e Gestão até dezembro de 2006, quando então passou a ocupar a titularidade da Pasta, onde permaneceu nos governos Antônio Anastasia e Alberto Pinto Coelho.

Merece destaque que o vice de Zema, Paulo Brant, foi escolhido pessoalmente, em 2008, por Andréa Neves, para ocupar a Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, após exoneração da secretária e amiga Eleonora Santa Rosa, que deixava enorme passivo de irregularidades.

Oriundo do BDMG, Brant fez uma gestão voltada apenas para corrigir as irregularidades praticadas por Santa Rosa.

Integram hoje o primeiro escalão do governo de Romeu Zema:

Custódio Mattos, secretário de Governo. Foi secretário de Desenvolvimento Social no governo Aécio Neves.

José Geraldo Oliveira Prado, secretário adjunto de Governo. Foi secretário em 2014. É funcionário de carreira da Assembleia Legislativa de Minas Gerais onde chegou a secretário-geral da mesa, homem de confiança do ex governador Alberto Pinto Coelho.

Wagner Eduardo Ferreira, secretário da Saúde. Foi secretário adjunto da mesma Secretaria de Saúde no governo Anastasia.

Otto Alexandre Levy Reis, secretário de Planejamento e Gestão.  Foi dirigente da Magnesita Refratários e da entidade “Gente e Gestão”, que tem como maior cliente a Ambev, pertencente a Jorge Paulo Lemann, um dos principais financiadores da campanha de Aécio Neves à presidência da República, em 2014.

Manoel Vítor de Mendonça Filho, secretário de Desenvolvimento Econômico.   Foi vice-presidente da Gerdau/Açominas, uma das maiores financiadoras das campanhas politicas do PSDB.

Germano Luiz Gomes Vieira, secretário de Meio Ambiente. Foi diretor de Prevenção e Combate à Corrupção da Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais, na gestão do PSDB, ocupando a seguir a Secretaria de Meio Ambiente na gestão do PT.

Marco Aurélio Barcelos, secretário de Infraestrutura e Mobilidade. Foi assessor jurídico e ex-diretor da Unidade PPP do Estado de Minas Gerais. Executou a PPP da Rodovia MG-50 e do sistema prisional mineiro no governo do PSDB.

Júlia Sant’Anna, secretária de Educação.  Integrante da Fundação Lemann, patrocinada por um dos principais financiadores da campanha de Aécio Neves à presidência da República em 2014,

Jorge Paulo Lemann, cotista, junto com Verônica Serra, filha de José Serra, do Fundo Innova.

Ambos envolvidos no ruidoso caso da compra 20% da Diletto, pequena sorveteria com faturamento de R$ 30 milhões, fundada em 2007 pelo empresário paulista Leandro Scabin. De acordo com alguns relatos, Lemann e Verônica Serra avaliaram a empresa em R$ 500 milhões.

O mais espantoso: Jorge Paulo Lemann é dono do Fundo de Investimentos Gera, que tem como objetivo a exploração privada do ensino no Brasil. A exemplo da “Escola Eleva”, em Botafogo, no Rio de Janeiro, onde cada aluno paga R$ 3.900 por mês.

Demonstrando querer manter em funcionamento o mesmo fisiologismo no trato com o Poder Legislativo, Romeu Zema escolheu como seu líder na Assembleia Legislativa o deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB), eleito em 2002 e reeleito em 2006 e 2010.

Em 2005, Carneiro foi escolhido, por unanimidade, como líder do PSDB na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sendo reeleito para esse cargo por cinco vezes consecutivas (2005-2010).

Carneiro também foi líder do maior bloco de apoio ao ex-governador Aécio Neves, o Bloco Social-Democrata (PSDB, PTB, PMN e PR), por quatro anos (2007-2010).

Nesta quarta-feira (06), desprezando os parlamentares do seu partido, Zema apoiou  o deputado Gustavo Valadares (PSDB) foi eleito líder do Bloco de Governo em apoio a Romeu Zema na Assembleia. O bloco, com 21 deputados,  é composto pelo PSDB, PPS, PP, PSC, Avante, PSB, SD e PHS e Novo.

Importante: Este levantamento diz respeito apenas ao primeiro escalão do governo Zema e integrantes do Poder Legislativo.

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